Pesquisa Teorica – Analise do Conto

Falando um pouco sobre a nossa pesquisa teórica, tentei resumi-la ao máximo sem que se perca partes importantes, para que não ficasse extremamente grande separei em algumas partes , nesta parte veremos a análise do conto em si.

Lembrando que usamos muito o livro Como Analisar Narrativas de Cândida Villares Gancho para a parte de análise do conto.

Para quem ainda não viu o conto, é interessante lê-lo para uma melhor compreensão da análise.


Por Tau

  • Contextualização:

O autor do conto Ryūnosuke Akutagawa viveu em Tóquio, e suicidou precocemente aos trinta e cinco anos, em 1927. O escritor seguiu um estilo próprio. “Dentro do Bosque”, escrito pouco depois do fim do Período Meiji, poderia ser apenas mais um conto melodramático, mas Akutagawa o transformou, em uma intrincada teia de depoimentos que se contradizem, e ao invés de ser o tipo de autor que pega o leitor pela mão e o guia pela trama, opta por contundi-lo também nas verdades e mentiras do enredo, pouco discerníveis entre si. No conto, destaca-se o fato de Takehiro ser da casta samurai. Os samurais existiram até o Período Edo (1603 a 1868), e foram abolidos como classe social no Período Meiji (1868 a 1912). Logo, o conto deve se passar em algum momento do Período Edo. A capital do Japão na época era Quioto, assim foi possível identificar a citada província de Wakasa nos dias atuais, ela é a atual Prefeitura de Fukui. Quioto e Wakasa são vizinhas entre si, pode-se deduzir que o ponto de partida da viagem do samurai e sua esposa tenha sido Quioto, (“chapéu pregueado à moda da capital”). Assim, foi concluído que a ação principal do conto (o assassinato no bosque) ocorre em algum bosque no trajeto entre Quioto e Wakasa.

  • Reflexões Sobre o Conto:

“Toda narrativa se estrutura sobre cinco elementos, sem os quais ela não existe. Sem os fatos não há história, e quem vive os fatos são os personagens, num determinado tempo e lugar. Mas para ser prosa de ficção é necessária a presença do narrador, pois é ele fundamentalmente que caracteriza a narrativa.” (GANCHO . 2008)

1.Narradores e Personagens

Segundo Gancho “cada autor cria um narrador diferente para cada obra”. Este conto narra os acontecimentos de um assassinato pela perspectiva dos sete envolvidos. Um monge budista, um policial, uma velha (sogra do morto), Tajōmaru (um assassino, que foi preso), uma mulher (Masago, esposa do morto) e por fim do morto por intermédio de um médium. Todas as testemunhas são interrogadas pelo alto comissário da polícia, que não faz parte direta da história, é mais uma estratégia do autor para unir os pontos de vistas diferentes num único contexto.

O conto se caracteriza por vários “narradores personagem”, pois em cada passagem, cada um dos personagens conta a sua versão com suas próprias palavras, todos narram na primeira pessoa do singular. É interessante ressaltar que o enredo não se desenvolve apenas com o desenrolar dos acontecimentos, mas com o nível de complexidade dos personagens também.

2.Enredo e Temática

O enredo, definido como o “conjunto dos fatos de uma história” (GANCHO, 2008), em nosso conto, está centrado no assassinato do homem Takehiro.
A história começa com a apresentação da complicação (assassinato), seguindo uma não linearidade dos acontecimentos, característica marcante do conto. Ao contrário de outras narrativas, a parte mais importante não é o clímax, mas sim os conflitos que existem entre as falas das personagens. Por outro lado, poderíamos até dizer que a cada versão contada, há um ponto de clímax, fazendo com que este conto também tenha seus principais no clímax.

3.Tempo

“A época da história nem sempre coincide com o tempo real em que foi publicada ou escrita” (GANCHO, 2008).

Independente de o conto ter sido escrito em 1921, vemos que está implícito que a história se desenvolve em algum momento do Período Edo (1603 a 1868) do Japão pois o personagem assassinado, Takehiro, era um samurai e portava uma espada. A classe social dos samurais deixou de existir no Japão em 1868, quando ocorreu a Restauração Meiji, que pôs fim ao Xogunato. Nesse mesmo período, o porte de espadas foi proibido.

O bosque deve existir em algum lugar próximo de Quioto. O personagem Takehiro é descrito usando “chapéu pregueado à moda da capital”, e a capital no período citado era Quioto. A região da província de Wakasa, de onde Takehiro era samurai e para onde ele se dirigia, é a atual Prefeitura de Fukui, que é bem próxima de Quioto. Masago, escondeu-se no templo Kiyomizu, que é um templo que existe em Quioto e já existia no período em que a história supostamente se desenrola.

O tempo da narrativa é psicológico, pois segundo Cândida Gancho ele “transcorre numa ordem determinada pelo desejo ou pela imaginação do narrador ou dos personagens, isto é, altera a ordem natural dos acontecimentos.”

4. Ambiente e Espaço

Ambiente “É o espaço carregado de características socioeconômicas, morais psicológicas, em que vivem os personagens.” (GANCHO, 2008).

Como citado acima a narrativa supostamente, se passa no período Edo. No topo da hierarquia social estava a corte imperial, que residia na capital, Quioto. Porém, o verdadeiro poder político estava nas mãos dos samurais. Em meados do século dezessete o neo-Confucionismo tornou-se uma filosofia dominante legal no Japão, e uma nova visão da sociedade emergiu dela: cada pessoa tinha uma posição distinta na sociedade, e deveria cumprir sua missão nela.

“Espaço é, por definição, o lugar onde se passa a ação numa narrativa” (GANCHO, 2008), tendo isso vemos que o cenário da narrativa é o bosque, perto de uma mata fechada, onde existem bambus e cedros: “encontrei aquele cadáver dentro do bosque, no sopé da montanha”, “onde cedros finos se misturam aos bambus”.

  • Relação narrador-leitor

Cada narrador conduz o leitor a acreditar que sua versão é verídica, assim conta sua história. Em cada trecho, vêem-se subentendido as perguntas que o alto comissário da polícia estaria fazendo para o narrador. Como por exemplo, no depoimento da velha “Sim, senhor. Aquele é o cadáver do homem com quem casei minha filha. E assim, cada narrador não só conta sua versão, como também responde perguntas indiretamente. Existem poucas interferências diretas do alto comissário, o que o faz para relatar pequenas alterações do estado psicológico do interrogado.


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One Response to Pesquisa Teorica – Analise do Conto

  1. Maurcio Perna disse:

    Mas que porcaria de artigo! Falou, falou e não disse nada!

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